Sunday, October 23

Inferno #41: eu.

Sou o ser mais desprezível e arrogante que alguma vez terei oportunidade de conhecer.
Digo o que penso e ao fazê-lo sou altamente irreflectida.
Não tenho noção das consequências que aquilo que digo pode ter.
Sou arrogante e prepotente e egoísta e aborrecida.
Só sei estragar a vida das pessoas e deixá-las infelizes.
Sou um trapo. Não devia ter o direito de respirar, quanto mais de existir.

Odeio-me e quero desaparecer da vida das pessoas de quem gosto, acho que isso seria a única resolução equilibrada que eu tomaria na vida. Percebo que sou cada vez mais odiada e a minha carapaça deixa de ter tamanho suficiente para me esconder.

Por que é que eu tinha de beber uns copos e dizer aquilo que acho? Não podia simplesmente ficar na minha e aturar coisas que só me dão uma comichãozinha nas costas?

Por que é que eu tenho de ser tão cabra, por que é que não sou o ser equilibrado, racional e comedido que tento ser? Foda-se, que inferno!

4 comments:

beijinhodorosario said...

Existem diferenças entre os cadernos de capa preta e os blogues, entre o que escrevemos num e noutro, entre o tempo que demoramos a pensar antes de escrever. Por estranho que pareça escrever é facil, pensar não. E são poucos os que conseguem a façanha de pensar o que escreveram. Escrever bem não é escrever uma coisa bonita à primeira mas riscar, rescrever, rasgar, rescrever, jogar para o lixo e de repente ver algo surgir. Não escrevas tudo aqui.

Francisca C. said...

Eu não escrevo tudo aqui, longe disso.
Estive a reler este post e continuo a achar tudo o que achava há uma semana, se calhar com um bocadinho menos de raiva, mas não acho que seja mentira o que escrevi então.
Sei que é um mero ponto de vista, mas em relação à minha própria insignificância não posso fazer nada.
Se calhar o teu ponto de vista até está mais correcto que o meu, mas eu não consigo exteriorizar-me por completo e ver isso que tu vês.

LivrePensador said...

Giro o blog. E nota que digo giro com a quantidade de hipocrisia que caracteriza o apreciador de arte: aquele que olha para um quadro de Van Gogh e, mesmo sabendo que o homem sofreu à parva e cortou uma orelha, exclama "Genial! Gostava de ser como ele!" Mas nesse sentido, está giro. Pareces ter a qualidade de vomitar, muito como o nosso Álvaro de Campos, jactos de irónica sinceridade. E há aquele toquezinho(zão) de lucidez que o sofrimento traz. Gostei. Mas nunca me vou meter contigo, sejas lá quem fores. É que provavelmente acabaria satirizado :)

Francisca C. said...

Obrigada. Sim, aconselho vivamente que não se metam comigo, eu mordo!