Saturday, October 15

Inferno #37: Last Days.

Sim, é o filme semi-biográfico (acho que acabei de inventar uma palavra) de Kurt Cobain, realizado por Gus Van Sant.
Sim, haveria todas e mais algumas razões para pensar que é um bom filme: o actor principal, Michael Pitt, não tem um mau percurso; o anterior filme de Gus Van Sant é bastante bom e o argumento parece interessante - ninguém precisa de apresentações formais, por alá, é a história de Kurt Cobain, um ícone da cultura musical e juvenil como é raro encontrar (e para além disso há toda a mística [provavelmente provocada por razões meramente comerciais] em torno da morte dele e das razões da morte e blablabla...).
No entanto, estamos perante uma massa semi-amorfa (acabei de inventar outra palavra), à qual muito boa gente não chamará filme.
A fotografia é boa, para o desempenho do actor também não vão críticas, os cenários idem, epá mas o filme, o filme em si, diálogos, cenas (tudo isso que cabe acima de tudo ao relizador planear) são uma bosta intelectual!!
Há muito tempo que eu não via uma coisa com tão pouco ritmo: nos primeiros 45 minutos do filme (sensivelmente metade do mesmo) temos oportunidade de observar Michael Pitt (e o seu corpito enfezado) a vaguear pela floresta, a tomar banho de boxers e ténis, à lareira, a grunhir coisas imperceptíveis e a dizer outras coisas, perceptíveis mas desconexas.
Só após esses 45 minutos de intenso sofrimento é que conseguimos, finalmente, ver um plano de jeito da cara do actor (que, faça-se juz, é mesmo muito bonita) e ouvir a voz de outros actores (sem ser por telefone).
De repente apercebemo-nos de semelhanças com o Elephant (para além de actores jovens e belos): ele utiliza em Last Days a técnica de repetição das cenas com elementos novos, que já havia usado no filme anterior - mas o mais estúpido é que neste filme NÃO SE JUSTIFICA ESSA TÉCNICA, porque há só uma personagem principal, e é em torno dela que gira tudo e é aquilo que gira em torno dela que interessa, e as outras personagens não têm carga dramática suficiente para que se use essa técnica.
Enfim... o filme acaba por ser uma junção de coisas que não são nada de novo: a beleza e juventude, as drogas, a loucura, a ressaca, a solidão, a crise das relações familiares. Enfim, a reacção mais profunda que pode provocar em alguém é um valente bocejo (ou até um ronco, como aconteceu ao velho que estava sentado ao pé de mim no cinema).
É que eu não consigo perceber o que é que passou pela cabeça do sr. Gus Van Sant, será que estava sob o efeito de drogas? Conseguiu um filme visualmente bonito (e com uma interpretação boa), mas o enredo, que podia ter sido extraordinário (é que há, de facto, o livro Últimos Escritos, de Kurt Cobain, e não é uma desilusão, como este filme), nem razoável é - acho que é daqueles filmes que levaria uma bolinha, se o único elemento de avaliação fosse a história.

2 comments:

beijinhodorosario said...

extraordinário, não estraordinário. Extra de algo mais, não estra de algo estranho.

Mas gosto do blogue, só quis ser irritante.

Francisca C. said...

Obrigada, já corrigi :)(quando escrevi fiquei na dúvida, mas como sou acéfala escrevi do modo errado).
E obrigada por gostares.