Wednesday, March 12

Inferno #210: A psicose.

Eras tu, eras mesmo tu. Como em tantas outras vezes, via-te e escondia-me. Fugia. E corria tão depressa... Mas não o suficiente: eras maior que eu e mais ágil. Acabavas por me alcançar. E depois era o surto. Via-te mesmo em frente a mim, a mudar de homem para lobo, a perder qualquer sanidade (pouca) que tivesses. A voz enrouquecia, os olhos enfureciam e espumavas.
Eu gritava, pedia ajuda, mas ninguém ouvia. Os gritos que conseguiam ultrapassar a boca eram condensados num guincho seco e curto. Estavas a enlouquecer, estavas mesmo a enlouquecer, e fazia-lo ao pé de mim, sem qualquer pudor, sem pensar na enorme confusão que és na minha cabeça.
Acordei alheada. Como de todas as vezes.
Como somos capazes de criar histórias paralelas às reais?

6 comments:

Anonymous said...

Obsessão.

“Entretanto, sabia perfeitamente que lhe bastava aparecer de novo em T.. para cair imediatamente sob o encanto opressivo dessa mulher, apesar de todas as suas dúvidas recentes. Mesmo ao fim de cinco anos continuava com a mesma convicção.”
(um excerto qualquer)

Francisco

Helio Lambais said...

maravilha... mais uma vez escrevestes algo muito bom ! =)

Bjus

Francisca C. said...

Obrigada :)

franksy! [girlfriend in a , ] said...

identifiquei-me bastante com o que [tão bem] escreveste!

Quanto à questão, acho que somos capazes de tudo!

*

Clau[dia] said...

histórias paralelas às reais...
Vivo fazendo..
^^

Francisca C. said...

Franksy: obrigada pela(s) visita(s) (também as faço ao 53, mas sou muito silenciosa).
Sim, começo a acreditar que somos capazes de tudo, inclusive reinventar o que conhecemos...*

clau[dia]: :) Obrigada pela visita.*