Friday, June 29

Inferno #160: A transformação.

Kafka sabia muito...É frequente acordar e perceber que durante a noite me transformei num "monstruoso insecto".

Inferno #159: enternecimento.

"Hoje vou passar a noite a olhar para ti.", disse-lhe um dia. Falava verdade. Foi aí que percebeu como era apaixonar-se por alguém que nunca teria: ela nunca seria dele, ele nunca desistiria dela...

Thursday, June 21

Inferno #158: Gato e rato.

Ontem andou à minha procura.

Mas fui eu quem ganhou.

Inferno #157: Hoje percebi que...

...Vou passar o resto da minha vida a tentar escrever sobre o mundo.
(há profissões lixadas)


E a minha pergunta é: e se um dia eu conseguir, o que é que faço depois?

Thursday, May 24

Inferno #156: História dos três dias até à minha morte (?)

No antepenúltimo percebi que ia mesmo morrer. Chorei, pensei em mil soluções para continuar a viver, deprimi-me, fechei as janelas, não vi o sol, não dormi.
No penúltimo despedi-me de todos, ouvi as músicas de que mais gostava, li páginas que por uma razão ou por outra tinha deixado para o dia seguinte, saí, fiz o que nunca tinha feito.
No último dia morri.

E foi assim que comecei a viver. Porque o coração bate-nos para que percebamos que estamos vivos. Um dia cansa-se, e pára.

Friday, May 11

Inferno #155: vazios.

O que é que acontece depois do vazio de não poderes ajudar um amigo?
O que é que acontece depois do vazio de perceber que afinal estamos todos sós?
O que é que acontece depois do vazio de engolir em seco?
O que é que acontece depois do vazio de escrever para nada?
O que é que acontece depois do vazio de um olhar numa fracção de segundo?
O que é que acontece depois do vazio de água a escorrer pela cara?
O que é que acontece depois do vazio de um trabalho (in)acabado?
O que é que acontece depois do vazio disto?

O mundo afinal não nos prepara para tudo...

Inferno #154: [...]

Inferno mesmo é:
- Ouvir pela enésima vez as histórias daquela tipa que está deprimida e não admite (porque afinal é o mundo todo, e não ela, que precisa de ser regulado);
- Veres a perfeição e perceberes que é gay;
- Escreveres tudo o que tens que fazer no dia;
- Perceberes que a perfeição gay nunca olharia para ti;
- Não ter cebolas para fazer o refogado;
- Perceberes que a perfeição gay até podia olhar para ti, mas vocês seriam incompatíveis;
- Não ires ao cinema há 'algum' tempo (esta é sobretudo triste);
- Perceberes que a perfeição gay ia ter muitas manias e tu não tens cá pachorra para as aturar;
- Não vais ao cinema porque foste ao teatro;
- Perceber que a moedinha que deste não lhe vai dar para o jantar;
- E ainda por cima a peça estava mal encenada;
- Pensar 'E depois disto o que é que eu vou fazer?';
- Não há cebolas nem azeite! Esta casa não tem nada, pá!;
- 'Vai haver trabalho de certeza. Então mas e se não houver?';
- Ok, venceste, vou jantar fora;
- Quem foi o idiota que inventou os recibos verdes!?;
- As listas são estúpidas, porque podem prolongar-se ad eternum (e acabaste de o perceber).

Thursday, May 3

Inferno #153: Situações de perigo.

Quando se apercebe que o seu colega de todos os dias "até é bastante sensual" (isso não pode ser bom...).

Inferno #152: Inquietude.

O cigarro já vai na ponta.
Não há racord!
Corta!

Thursday, April 19

Inferno #151: learning to dislove.

I'm seating on your lap.
I'm seated on your lap, between the love of yesterday and the indifference of tomorrow.

Wednesday, April 18

Inferno #150: O êeeenfase nas palavras.

Oiça, eu ouvi bem da primeira vez, não precisa de gritar e articular as palavras como se eu fosse surda. É que os surdos não ouvem...

Inferno #149: Ar de aparvalhada.

Se me encontrar a sorrir, com os olhos esbugalhados e fixos num ponto (que não se percebe bem onde é), saberá que estou em pleno transe, a fantasiar com alguém, não importa quem (são várias pessoas). Parece que regressei à adolescência povoada de borbulhas e de corações idiotas, mal desenhados à margem dos cadernos (bem dizem que a vida é um retorno eterno...).

Wednesday, April 11

Inferno #148: Pérolas da música - "Burbujas de Amor".

A música "Burbujas de Amor" de Juan Luis Guerra tem, descobri eu depois de uma longa e cirurgica pesquisa, uma das mais (como dizê-lo?) improváveis rimas. Falo daquela música que começa mais ou menos assim "Tengo un corazón [bla bla bla] ayayayayay".
Ora, a estrofe a que me refiro concretamente diz o seguinte (vejam se isto não é lírica pura...):
"Quisiera ser un pez
para tocar mi nariz
en tu pecera
y hacer burbujas de amor
por donde quiera
¡oh! pasar la noche en vela
mojado en ti".

Esqueçamos o facto de a letra ficar bastante mais poética quando traduzida para português (azar o do senhor, que era espanhol...). "Tocar mi nariz en tu pecera"!!?? Ao lado destas palavras, o coelhinho da playboy adquire quase o mesmo estatuto que As Aventuras do Coelhinho Azul (que é parecido às Aventuras de Anita, mas com um coelho [azul] e na floresta). Esta música é romanticamente cantada (e, sim, em espanhol) por cantores românticos em cruzeiros em alto mar (bastante adequado, já que fala de peixinhos) e eventos afins.
Está bem, 'pecera' é, na verdade, 'aquário', mas não me parece que o senhor (Don) Juan estivesse a pensar exactamente num aquário, pois não é dos mais próváveis (ou aconselháveis) sítios para passar o nariz...

Inferno #147: Leituras adiadas.

Entre Palavras

Eu e tu (sobre)vivemos através das palavras que não trocámos, mas pelas quais ardemos secretamente. É assim que, perversamente, mantemos a chama: a jogar ao gato e ao rato. Não sabemos muito bem como isto acaba (ou se acaba), mas vamo-nos divertindo nas entrelinhas, toda a gente sabe que as conclusões são para os maricas, e existirão sempre os finais em aberto.

Inferno #146: Dans Paris.

Já sei o que é falar e não encontrar as palavras que faltam.
Já beijei rostos desconhecidos em sonhos de erva.
Já subi à Torre. Já pensei que "vou voltar, mas não tão depressa".
Já falei com os olhos, com um desconhecido que não vou voltar a ver.
Já me disfarcei de coisas que ninguém sonha, para chegar à conclusão que não há nada que iguale a minha pele.
Já vivi num sítio que agora me parece um sonho. Mas é verdade, eu fui de lá (ainda sou parte dessas águas furtadas que vou levar sempre na memória).
Descobri que "não há nada como a nossa casa". Mesmo que a nossa casa esteja em tantos lugares e tantas pessoas...

Inferno #145: Cartas de rancor e do passado.

A um "ele"

Foste o lugar mais estranho do amor em que me sentei. Agora esgotaste-te. Ou esgotei-te, não sei...
Já não existes nas prateleiras do supermercado e eu já não sinto a tua falta, troquei-te por alguém mais confortável.
Sim, eras ardente, mas a tua chama durava pouco mais que o tempo de um olhar e um beijo.

Sunday, March 25

Inferno #144: why don't you like me?

"(...)I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like

Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!(...)"

(Mika - Grace Kelly [viciante])

Monday, February 19

Inferno #143: Socorro, voltei!

E por cá está tudo igual. Lá, ficou um mundo ainda por descobrir de sítios novos todas as noites, de pessoas em constante evolução e descoberta, de enamoramento a cada esquina (e nunca se sabe o que aí pode acontecer...).
(Amo-te,) Paris.

Inferno #142: A Odisseia.

Fugir de ti e mesmo assim procurar-te onde não existes. Corto-nos as palavras e afinal queria falar contigo. Mas depois doeria durante muito tempo. E não vale a pena, porque o amor é demasiado difícil de encontrar e eu sei que ele não está contigo.

Friday, December 8

Inferno #140: Espírito natalício.

Vou enfrentar a rena de frente.

Atirar-me do trenó.

Lutar sumo com o Pai Natal (não, a Pepsi não tem o exclusivo sobre os anúncios com lutas de sumo).

Queimar um tronco de natal.

Malabares com os enfeites da árvore. Quiçá utilizar a estrela da ponta para apanhar os canais da parabólica (mas só para ver o Música no Coração e testar se há vida nos montes ou se é só treta).